8.1.07

ANO NOVO

RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo,
eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

6.11.06

Muitas recordações....

"A vida é o dever, que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio..
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor, que está muito à minha frente, e diria que eu amo...
Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe te ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá, será a desse tempo que infelizmente...
Nunca mais voltará."

(Mário Quintana)

3.10.06

Ilusões do Amanhã
"Por que eu vivo procurando
Um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim Esquecer?

Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver,
Se não for para mim que seja pra você.

Mas às vezes você parece me ignorar,
Sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.

Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.

Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.

Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.

Talvez eu seja um tolo,
Que acredita num sonho.

Na procura de te esquecer,
Eu fiz brotar a flor.

Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.
E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor."

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)
Este poema foi escrito por um aluno da APAE.
Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e peço que divulguem para prestigiá-lo.

O significado das coisas não está nas coisas em si, mas sim em nossa atitude com relação a elas.
(Antoine de Saint-Exupéry)

30.7.06

Um VIVA ao Quintana!

Acabei de ver este poema na homenagem do Fantástico ao cem anos do Quintana. Lindo!
Me deu saudade do blogginho...
Saudade do Mário Quintana, do Drummond, do Vinícius, do Chico, do Neruda, da Cecília...
Fiquei com vontade de postá-lo:


Canção Para Uma Valsa Lenta

Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...

Minha vida não foi um romance...
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.

Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!

Pobre vida que toda depende
De um sorriso... de um gesto... um olhar...


"Em que estrela, amor, o teu riso estará cantando?"

8.7.06

Quanto mais palavras saem da minha boca
mais me dou conta de que não sou eu quem falo
pois o que penso não tem nada a ver
e o que faço já é outro papo
e o que pareço já nem sei contar

não faz diferença
se você vem amanhã
ou não vem
desisti de esperar
por alguém
cuja ausência
me faz companhia

eu triste sou calada
eu braba sou estúpida
eu lúcida sou chata
eu gata sou esperta
eu carente sou insana
eu malandra sou fresca
eu seca sou vazia
eu fria sou distante
eu quente sou oleosa
eu prosa sou tantas
eu santa sou gelada
eu salgada sou crua
eu pura sou tentada
eu sentada sou alta
eu jovem sou donzela
eu bela sou fútil
eu útil sou boa
eu à toa sou tua

20.6.06

MArisa Monte

Estou viciada nesta música:

Infinito Particular
Composição: Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Carlinhos Brown


Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui e não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

24.5.06

Mais um do Leminsk

L'ÊTRE AVANT LA LETTRE

la vie en close
c'est une autre chose
c'est lui
c'est moi
c'est ça
c'est la vie des choses
qui n'ont pas
un autre choix

Paulo Leminsk

ERRA UMA VEZ
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

você está tão longe
que às vezes penso
que nem existo